Thursday, March 15, 2007

Perdeu em casa de novo

Para quem estava na noite de quarta-feira na Vila Capanema foi impossível não lembrar do último jogo contra o Atlético Paranaense. Não só pela massa rubro-negra fazendo festa, mas principalmente pelo modo como o Tricolor jogou nesta noite.

Mas, para a infelicidade dos atleticanos, o 0 a 1 contra o Flamengo foi pior. Desta vez um estádio lotado viu o Paraná perder uma invencibilidade na Libertadores da América e a liderança do grupo. Além dos gritos de “olé” da torcida carioca, a primeira a lotar a parte dos visitantes da nova Vila. Talvez o pior de tudo seja saber que o time carioca nem é uma grande equipe e que, se nada for feito logo, o Paraná não passará das oitavas-de-final do torneio.

Eu poderia enumerar os problemas do Tricolor, mas a semelhança com a partida contra o Atlético é tão grande que estaria escrevendo praticamente as mesmas coisas. Você pode conferir nesta página o texto “Balde de água gelada”. Contra-ataques, problemas no time inteiro, o técnico escala mal, enfim, tudo igual. Incluindo os protagonistas do vexame: Gérson, Xaves, Neguette, Josiel, Zetti e Egídio. Este último só não está sendo vaiado pela torcida porque existe a polêmica chamada Joélson.

Há mais de um ano no Paraná, o meia é cada vez mais hostilizado pela torcida paranista. O que não quer dizer que ele não faça por merecer. Durante todo este tempo no clube,o atleta só se destacou em um jogo contra uma equipe fraca. Joélson é violento, sendo freqüentemente expulso. Tem vontade, mas não tem técnica. Perdeu um gol absolutamente incrível ontem, que minha vó faria com a bengala. Depois disso foi vaiado cada vez que encostava na bola e até um abaixo-assinado pedindo a dispensa do jogador rola pela Internet. Se eu fosse o Zetti, ficaria no mínimo embaraçado em dar tantas chances para este rapaz.

Falando sobre o treinador, parece realmente que o Zetti não vê o mesmo jogo do que os outros 15 mil (oficialmente) no estádio. Além do “caso Joélson”, o treinador insiste em manter o Xaves no lugar do Goiano como volante. Enquanto o primeiro levou um baile do Juninho Paulista ontem, o segundo está há dez anos no clube e foi bem nas primeiras partidas da Libertadores, quando era titular. Sem falar na indecisão pelo esquema tático. Se machuca um jogador, ele muda o jogador e o esquema. Como será que ele treina isso?

Paranistas otimistas dirão: Mas ontem o Dinélson, craque do time, não jogou. Isto é verdade e se o meia conseguir voltar para a partida no Maracanã, na próxima quarta-feira, o Tricolor tem chances de surpreender. Para isso terá que reencontrar o entrosamento e principalmente a velocidade dos primeiros jogos. Ontem não existia uma criação de boas jogadas pelo meio-de-campo, um jogador que armasse um lance com criatividade. Mas, como não dá para esquecer, Dinélson estava no jogo contra o Atlético e foi completamente anulado pela marcação.

Para finalizar, acho que vou guardar deste jogo contra o Flamengo a imagem final. Como eu tinha que esperar um amigo, fiquei sentado no mesmo lugar da arquibancada quando o juiz apitou o final da partida. Enquanto acompanhava a maioria paranista saindo do estádio triste, no meu lado oposto era só festa e alegria na parte visitante. O Paraná ainda é o segundo colocado do grupo e deve se classificar, mas ocorrerá um vexame nas oitavas-de-final se o Zetti não fizer alguma coisa.

Faixa paranista

Uma parte dos torcedores tricolores confeccionaram uma faixa criticando a Globo por não transmitir os primeiros jogos do Paraná na Libertadores e agradecendo o canal pago FX pela transmissão. Ontem os autores do protesto tentaram colocar a faixa no alambrado, mas seguranças da Globo disseram que tinham comprado a partida e que não aceitariam isso. A faixa teve que ser retirada.

Time abalado tem clássico pela frente

Zetti terá que fazer com que seu time se motive e rápido. No domingo o Tricolor enfrenta o Coritiba, pela primeira rodada do conturbado campeonato Paranaense. O treinador avisou que deve escalar o time titular, mas sem Dinélson e Henrique. Além de João Vitor que, pela lesão no braço na partida contra o Flamengo, ficará seis meses parado.

A dúvida é se Zetti vai afundar o jogo já na escalação. Será que Goiano, Vinícius Pacheco e um outro lateral terão alguma chance? Será que ele entra com o Joélson? Se o treinador colocar na equipe o meia, deverá estar pronto para receber toda a raiva que a torcida destina ao Joélson. Isto não me parece um bom negócio.
Ficha Técnica
Paraná 0 X 1 Flamengo
Local: Estádio Durival de Britto e Silva, em Curitiba-PR.
Árbitro: Leonardo Gaciba (Fifa-RS).
Auxiliares: Roberto Braatz (Fifa-PR) e Altemir Hausmann (Fifa-RS).
Cartões amarelos: Beto (Paraná); Souza e Juninho Paulista (Flamengo).
Cartão vermelho: Neguette (Paraná)
Gol: Renato, aos 23 minutos do primeiro tempo.
Paraná - Flávio, Daniel Marques, Neguette e João Vítor (Joélson); André Luiz, Beto, Xaves (Vinicius Pacheco), Gérson e Egídio; Josiel e Henrique (Lima). Técnico: Zetti.
Flamengo - Bruno, Leonardo Moura, Ronaldo Angelim, Irineu e Juan; Paulinho, Renato, Renato Augusto e Juninho Paulista (Leandro Salino); Roni (Léo Medeiros) e Souza (Leonardo). Técnico: Ney Franco.

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